Interno do sistema prisional de Sergipe conquista 1º lugar em Geografia na UFS. Iniciativa fortalece a educação como ferramenta de ressocialização.
Interno do Copemcan conquista 1º lugar em Geografia na UFS e celebra avanço da educação prisional em Sergipe
A educação prisional em Sergipe acaba de registrar mais um marco importante. Um interno do Complexo Penitenciário Manoel Carvalho Neto (Copemcan) conquistou o primeiro lugar no curso de Geografia da Universidade Federal de Sergipe (UFS), modalidade Ensino a Distância (EaD). O resultado foi divulgado nesta quarta-feira (27) e reforça a força da educação como ferramenta de transformação social.
Processo seletivo dentro do presídio
A seleção foi realizada dentro da unidade prisional, com provas aplicadas em espaço reservado e acompanhadas pela Coordenação de Concurso Vestibular da UFS, além do suporte dos policiais penais. Os candidatos puderam disputar vagas em seis cursos de licenciatura, entre eles História, Letras e Filosofia.
Ao conquistar o primeiro lugar, o interno E.D. destacou a importância da educação em sua trajetória:
“Essa conquista é apenas o começo. Quero mostrar que é possível mudar de vida por meio do conhecimento.”
Resultados da segunda edição
Segundo a Sejuc, esta foi a segunda edição do processo seletivo. No total, seis internos foram aprovados, ampliando os resultados obtidos em 2024, quando apenas um interno havia ingressado no curso de Geografia.
De acordo com o vice-diretor do Copemcan, Marcelo Macêdo, o avanço é resultado do trabalho integrado:
“O sistema prisional de Sergipe vem se destacando por oferecer oportunidades educacionais que vão desde a alfabetização até o ensino superior.”
A coordenadora pedagógica, Hérica Matos, complementou que os números reforçam o comprometimento dos internos com a própria transformação:
“Cada aprovação é um passo para diminuir a reincidência e fortalecer a reintegração social.”
Educação como política pública de ressocialização
O projeto é fruto de um convênio entre a Sejuc e a UFS, que pretende ampliar as vagas disponíveis e expandir o programa para outras unidades prisionais do estado.
Além de transformar realidades individuais, a iniciativa está em sintonia com as diretrizes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que destaca a educação como eixo central de programas de ressocialização e cidadania.
Com os novos resultados, Sergipe se consolida como referência nacional em práticas de inclusão educacional no sistema penitenciário.